Hack da Binance: roubo de US$ 6,3 bilhões, saques e o caso no Brasil

A Binance teve cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas roubados das suas carteiras na quinta-feira, 29 de outubro, um ataque que o Cointelegraph chama de recorde. A corretora suspendeu os saques na mesma noite, diz que vai cobrir o prejuízo com dinheiro próprio e começou a liberar as retiradas no domingo (1º). No fim de semana, o FBI atribuiu o roubo à Coreia do Norte.

Como foi a quinta-feira

Pelo relato ao vivo do Protos, as saídas irregulares começaram no máximo às 16h30 de Nova York, 17h30 em Brasília. A Binance anunciou a pausa nos saques às 19h22 de Brasília e, uma hora depois, falou em perda de US$ 2,54 bilhões. Às 21h, a Arkham Intelligence já estimava as retiradas irregulares em mais de US$ 5,8 bilhões. Nos dias seguintes, o valor citado pelos veículos passou a ser de cerca de US$ 6,3 bilhões.

Ainda na quinta, a Tether congelou cerca de US$ 1,56 bilhão ligado ao caso, segundo o TechCrunch. Ao site, o porta-voz Ross O'Leary disse que a Binance suspendeu os saques em várias redes por precaução.

O que a live mediu naquele dia

O bitcoin já vinha em queda desde a máxima do dia, US$ 81.954, às 13h05 de Brasília. Na live do CriptoMonitor, o minuto com mais liquidações de bitcoin foi o das 17h47, com US$ 34 milhões em posições compradas encerradas à força. A maior liquidação de uma só posição saiu às 17h42: US$ 11 milhões em bitcoin, na própria Binance. Os dois registros vieram poucos minutos depois do horário em que, segundo o Protos, as saídas irregulares já tinham começado. A coincidência de horário não prova que uma coisa causou a outra.

Das 18h às 2h, período que inclui o anúncio da Binance, foram mais US$ 340 milhões em liquidações. O preço bateu a mínima do dia, US$ 76.444, às 23h05. No dia inteiro (das 2h às 2h), a live somou US$ 734 milhões liquidados nas 20 criptomoedas que acompanha na Binance, na Bybit, na OKX, na Gate.io e na HTX, 485% acima da média dos sete dias anteriores. Só a Binance respondeu por US$ 451 milhões, e 85% do valor liquidado era de compradores. O bitcoin fechou o dia em US$ 78.233, com queda de 2,48%.

Nos três dias seguintes, com os saques parados ou voltando aos poucos, as liquidações ficaram bem menores: US$ 141 milhões na sexta, US$ 15 milhões no sábado e US$ 59 milhões no domingo. De quinta a sábado, a live e a conexão com a OKX ficaram fora do ar por alguns minutos (a Bybit também, na quinta e na sexta), então esses totais podem estar um pouco abaixo do real.

Quem paga a conta

A Binance diz que o prejuízo fica com a empresa, não com os clientes. Segundo a Livecoins, a corretora separou US$ 6,34 bilhões de recursos próprios para o fundo dos usuários e transferiu 7.499 bitcoins, cerca de US$ 580 milhões, do SAFU, o fundo de emergência da corretora, para as suas carteiras. A cofundadora Yi He afirmou que BTC, ETH, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC já estavam com 100% de cobertura. As moedas menores seriam compradas no mercado e no balcão.

No sábado, a Binance já tinha reposto 90% dos ativos levados, ante 80% na véspera, segundo o Cointelegraph. O dinheiro saiu do caixa da empresa, do SAFU e do fundo de seguro dos contratos futuros. A corretora diz que vai voltar a comprar para que o SAFU retorne a cerca de US$ 1 bilhão.

Como ficou no Brasil

Na sexta-feira (30), a BBrasil SPSAV, empresa que atende os clientes brasileiros da Binance, avisou no X que os saques de ativos virtuais estavam "temporariamente suspensos enquanto realizamos uma verificação minuciosa de segurança". Os saques em reais e as negociações dentro da plataforma continuaram funcionando, segundo um porta-voz da Binance Brasil ouvido pela Livecoins.

A volta dos saques

A liberação começou no domingo (1º), às 3h de Brasília, por etapas. A primeira rede aberta foi a do bitcoin, e a Binance avisou que haveria congestionamento: se um saque falhar, a orientação é tentar de novo depois de alguns minutos, segundo o Cointelegraph. Às 9h36 de Brasília, os saques funcionavam nas 15 redes e ativos da primeira fase, de acordo com a Livecoins.

Das 3h às 12h30 de Brasília, a corretora processou US$ 4,649 bilhões em retiradas e recebeu US$ 1,01 bilhão em depósitos, uma saída líquida de cerca de US$ 3,64 bilhões. Pela conta da Livecoins, isso equivale a 2,1% dos US$ 171 bilhões em ativos de clientes da prova de reservas de 28 de outubro, o relatório em que a corretora mostra que tem os ativos que guarda. Dados do DefiLlama citados pelo Cointelegraph mostram saída líquida de US$ 5,8 bilhões em 24 horas.

O que diz o FBI

O Cointelegraph informa que o FBI atribuiu o ataque à Coreia do Norte, numa atividade identificada como "TraderTraitor". A maior parte dos ativos levados foi trocada por ether (ETH), e o FBI diz esperar novas conversões. O órgão pediu que empresas bloqueiem transações com os endereços usados pelos criminosos. Também cobrou ajuda de operadores de nós da THORChain, rede usada para trocar moedas entre blockchains, de nós RPC e de serviços de finanças descentralizadas para impedir a lavagem do dinheiro.

Para entender melhor

Ferramentas do CriptoMonitor: Liquidações de hoje, Long/Short Ratio e Open Interest, Monitor de RSI e Monitor de Tendência.

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Fontes

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