Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras três instituições do mesmo grupo. Cerca de 800 mil clientes que tinham CDB e outros investimentos cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) receberam de volta até R$ 250 mil cada um, com pagamentos a partir de 17 de janeiro de 2026. O FGC reservou R$ 40,6 bilhões para isso.

Este guia conta o caso pelo lado do dinheiro: como o banco captava, por que isso chamava atenção, como a garantia funcionou e o que a história ensina para quem investe. As investigações sobre os responsáveis seguem na Justiça e ficam fora deste texto.

Como o Banco Master captava dinheiro

O Banco Master era um banco médio que cresceu rápido vendendo CDBs com rendimento acima da média. Segundo a CNN Brasil, os títulos do banco chegaram a pagar 140% do CDI, e taxas de 120% a 160% do CDI eram comuns na sua captação. Os CDBs apareciam em destaque nos aplicativos das plataformas de investimento, por condições comerciais negociadas com o banco.

Grandes bancos costumam pagar menos, perto de 100% do CDI ou abaixo disso, num CDB de prazo parecido. Quando um banco paga bem mais que os outros, é porque precisa atrair um dinheiro que não conseguiria pelo preço normal.

Por que CDB muito acima do CDI é sinal de risco

O CDB é um empréstimo que você faz ao banco. Se o banco quebra, o FGC devolve o seu dinheiro até o limite da garantia. O que passar do limite vira crédito na liquidação: só é pago se sobrar dinheiro depois da venda dos bens do banco, e sem data certa.

A garantia faz muita gente olhar só para a taxa e esquecer quem está do outro lado. O nome disso é risco moral: protegido pelo FGC, o investidor deixa de cobrar prudência do banco, e o banco consegue crescer com dinheiro caro.

A venda para o BRB que não aconteceu

Em março de 2025, o Banco de Brasília (BRB), banco público do Distrito Federal, anunciou a compra de parte do Master. A operação previa 49% das ações ordinárias, 100% das preferenciais e 58% do capital total. Em 3 de setembro de 2025, depois de mais de cinco meses de análise, o Banco Central rejeitou a compra e apontou riscos excessivos nos ativos do Master, segundo a Agência Brasil.

Enquanto a venda era analisada, o FGC deu apoio financeiro ao grupo a partir de maio de 2025, para que os clientes com produtos garantidos continuassem recebendo nos vencimentos. Em troca, o contrato limitou os novos títulos com garantia do FGC a 100% do CDI, o que parou o crescimento acelerado dessa dívida. No fim de 2025, esse apoio somava R$ 5,7 bilhões, de acordo com o relatório anual do FGC.

A liquidação de 18 de novembro de 2025

Na liquidação extrajudicial, o Banco Central tira os donos do comando, nomeia um liquidante e encerra as atividades da instituição. O liquidante levanta os bens, paga o que for possível e organiza a lista de credores.

No caso do Master, os atos do Banco Central publicados em 18 de novembro de 2025 atingiram o Banco Master, o Banco Master de Investimento, o Banco Letsbank e a Master Corretora de Câmbio. O liquidante é a EFB Regimes Especiais de Empresas. O Banco Central informou como motivos a grave crise de liquidez do grupo, o comprometimento da sua situação econômico-financeira e graves violações às normas do sistema financeiro.

No começo de 2026, também foram liquidados a Will Financeira e o Banco Pleno, segundo o FGC.

Como o FGC devolveu o dinheiro

  • Quem tem direito: clientes com conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA ou LCD nas instituições liquidadas.
  • Quanto: até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. O conglomerado conta como uma só.
  • Teto global: desde 2017, cada CPF ou CNPJ tem garantia de até R$ 1 milhão a cada quatro anos, somando todas as instituições que quebrarem no período.
  • Como: pelo aplicativo do FGC (pessoa jurídica, pelo site), a partir de 17 de janeiro de 2026. Concluído o pedido, o dinheiro cai em até dois dias úteis numa conta do próprio cliente.
  • Total: R$ 40,6 bilhões para cerca de 800 mil credores. A estimativa inicial era de 1,6 milhão de credores e R$ 41,3 bilhões.

Até 28 de abril de 2026, o FGC tinha pago cerca de R$ 49 bilhões a quase 870 mil credores, somando os casos da Will Financeira e do Banco Pleno. O fundo também alertou para golpes que usam o seu nome: o pedido é feito só no aplicativo oficial ou no site do FGC.

Quem paga a conta

O FGC não usa dinheiro do governo. Ele é uma entidade privada, mantida por contribuições dos bancos associados. Em 2025, a provisão para os pagamentos do caso levou o fundo a um déficit de R$ 17,1 bilhões, e o patrimônio fechou o ano em R$ 123,2 bilhões.

Para recompor as reservas, os bancos associados anteciparam R$ 32,2 bilhões em contribuições entre 23 e 25 de março de 2026. O custo da garantia que protegeu os clientes do Master foi repartido entre as instituições do sistema.

O que o caso ensina para quem investe

  • Taxa muito acima da média é sinal de risco. Antes de investir, veja quem emite o título, e não só a plataforma que vende.
  • Acima de R$ 250 mil na mesma instituição, o dinheiro fica sem garantia do FGC.
  • Quem espalha o dinheiro por vários bancos pequenos precisa lembrar do teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
  • O FGC não cobre fundos de investimento, ações, previdência nem criptomoedas. Em cada um desses produtos, o risco é outro.
  • Mesmo com garantia, o dinheiro fica parado um tempo: no caso do Master, foram cerca de dois meses entre a liquidação e o início dos pagamentos.

Perguntas frequentes

Quem tinha mais de R$ 250 mil no Banco Master perdeu o resto?

Não necessariamente. O valor acima do limite do FGC virou crédito na liquidação. Ele só é pago se sobrar dinheiro depois que o liquidante vender os bens do banco e pagar os credores com prioridade, e não há prazo definido.

O FGC pode ficar sem dinheiro?

O fundo terminou 2025 com R$ 123,2 bilhões de patrimônio e recebeu R$ 32,2 bilhões em contribuições antecipadas dos bancos em março de 2026. Segundo o FGC, mesmo depois do caso Master as reservas continuam suficientes para cenários severos de estresse.

Como saber se um investimento tem garantia do FGC?

Conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI, LCA e LCD de instituições associadas ao FGC têm a garantia, até o limite. A lista de associadas e as regras completas estão no site do FGC.

Fontes

Veja também o guia de gestão de risco.

Conteúdo informativo e educativo. Não é recomendação de compra ou venda nem consultoria de investimentos. Criptoativos são voláteis e você pode perder todo o valor investido. Leia o aviso de risco.